Motivação ou incentivo?

A aprendizagem humana depende, portanto, da maturação genética e da estimulação social e pessoal que a criança recebe das pessoas que a cuidam.

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Segundo o dicionário Aurélio, estimulo é aquilo que incentiva, impulsiona. Para a psicologia aprender consiste em estabelecer conexões entre certos estímulos e determinadas respostas, cujo resultado é aumentar a adaptação do ser vivo ao seu ambiente (FERREIRA, 2011).

Motivação significa pôr em movimento, mover. Motivo é um substantivo, cujo significado original é o que move e segundo o dicionário Aurélio é: que causa ou determina alguma coisa, razão. Assim, percebe-se que a aprendizagem está intimamente ligada aos estímulos enviados ao cérebro humano e depende destes para ativar o raciocínio e a assimilação.

Assim, o trabalho do professor não estaria ligado à motivação do aluno, mas na sua estimulação ou incentivo. Todo ser humano carrega informações genéticas únicas, e um calendário de maturação, que está ligado ao desenvolvimento neurológico e é determinado até os dois anos. Depois disso, a aprendizagem será marcada por outros aspectos, como a estimulação e a ajuda recebida do meio.

A leitura e a escrita, por exemplo, são competências que começam a ser formadas no cérebro desde muito cedo ao serem estimulados pré-requisitos cognitivos primordiais, como a espacialidade e a consciência fonológica. Durante a infância, eles precisam ser observados e promovidos na criança e a maturação dos mesmos deve atingir o que se espera para a idade da criança, antes de iniciar sua alfabetização.

Foi constatado que a maior parte da estrutura, a estimulação neurológica para a organização da fala da criança depende do quanto ela é submetida ao estímulo. A aprendizagem humana depende, portanto, da maturação genética e da estimulação social e pessoal que a criança recebe das pessoas que a cuidam. Os aspectos psicológicos de desenvolvimento não estão predeterminados, mas são adquiridos mediante a interação com o meio físico e social que envolve as crianças desde o seu nascimento (BASSEDAS, 1999).

Para que haja a estimulação é necessário que a criança seja exposta à determinada situação não apenas uma única vez, ou seja, a estimulação para ocorrer deve ser diária e duradoura até que a criança consiga assimilar o conhecimento. É necessário paciência e tempo, pois todo processo de aprendizagem para ser concreto depende do tempo que cada indivíduo leva para armazenar o conhecimento novo e relaciona-lo com algo que ele já tenha concretizado em seu cérebro.

Incentive seus alunos e eles voarão alto como águias, independente de seus próprios limites!

Referências: 

BERGER, Kathleen Stassen. O Desenvolvimento da pessoa: do nascimento à terceira idade. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

DEL NERO, Henrique Schützer. O Sítio da Mente: pensamento, emoção e vontade no cérebro humano. São Paulo: Collegium Cognitio, 1997.

DELACATO, Carl. Diagnóstico e tratamento dos problemas de fala e leitura. Tradução de Luiza Leite Ribeiro. Rio de Janeiro: Centro de Reabilitação N. S. da Glória, 1966.

BASSEDAS, Eulália; HUGUET, Teresa; SOLÉ, Isabel. Aprender e ensinar na educação infantil. Trad.Cristina Maria de Oliveira. Porto Alegre: Artmed, 1999.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Disponível em: www.aurelioonline.com.br. Acesso em 10 de novembro de 2011

Author

Formada em Letras Inglês e Português, pós-graduada em Língua Portuguesa e Neuroeducação. Atua há mais de 10 anos como professora da rede de Educação Adventista. Atualmente trabalha com o ensino médio no Colégio Adventista de Padre Miguel localizado no Rio de Janeiro, Brasil.

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