A linguagem oral e escrita das Crianças

No contexto escolar, as atividades para o uso da linguagem não são livres, pois os alunos têm modelos para a escrita. Por isso, o estudo da língua é importante para trazer contribuições aos que estão…

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Uma educação intencional tem como uma de suas metas ajudar a desenvolver consciência de atos e relações a partir das interações, trocas, vínculos afetivos e da convivência. Em relação a linguagem não é diferente. Ao empregar o termo linguagem, estamos nos referindo às produções orais e por meio da escrita que circulam no meio social em que a criança está inserida, como a escola, a família, o comércio e outros grupos. Mas qual é o papel da escola nesse processo?

Podemos unir a linguagem às suas formas de representação. Por exemplo, o desenho que a criança faz para manifestar seus pensamentos, os gestos e expressões com olhos e mãos que ela elabora como instrumentos de comunicação, a forma de brincar, a fala e a escrita como diferentes registros de linguagens. Os seus primeiros balbucios ou rabiscos incialmente poderão não estar relacionados a uma forma que a criança queira representar, mas com o tempo as formas estabelecerão uma relação entre sua ideia e o traço criado. Ao compreender a ideia de que esses sons e traços podem representar sua ideia, ela mesma começará a controlar e ter intencionalidade na organização de seus registros e ela serve como elemento mediador entre os conhecimentos e como instrumento para a construção de sujeitos sociais.

Geraldi (2006) afirma a língua não pode ser encarada como um conjunto de normas e regras gramaticais para uma produção correta. No contexto escolar, as atividades para o uso da linguagem não são livres, pois os alunos têm modelos para a escrita. Por isso, o estudo da língua é importante para trazer contribuições aos que estão envolvidos nessa interação de uma linguagem em funcionamento. Geraldi apresenta e analisa criticamente três concepções de atividades linguísticas que são distintas, mas que aparecem nas ações docentes:

  1. Expressão do pensamento: Esses pensamentos estão ligados à tradição gramatical. Considera-se a forma “correta” da linguagem, uma vez que é considerada como uma unidade estável. Nesse caso, é possível prescrever uma avaliação que direcione o que é certo ou errado e valorize a norma culta de expressão. Assim, com exercícios gramaticais será possível incorporar e dominar as linguagens oral e escrita. Atividades como a leitura oral eram o objetivo e a própria concepção de linguagem, não importando se o leitor compreendia o texto lido.
  2. Instrumento de comunicação: A língua como sendo um código com mensagens e receptor. Nessa visão, segundo Geraldi (2006), a linguagem é entendida com a finalidade de transmitir determinada informação ou mensagem abrangendo a leitura como uma decifração do código alfabético e com atividades de leitura a partir do texto que se torna um pretexto para as atividades gramaticais com respostas que o próprio texto dará. Podemos verificar isso nos materiais didáticos, nos enunciados, nas introduções e nos títulos.
  3. Forma de interação: Possibilita a constituição de algum tipo de informação com sujeitos que interagem por meio do falar e ouvir, com intercâmbios e mediações. Essas concepções estão ligadas a três grandes correntes dos estudos linguísticos, que são a gramática, o estruturalismo e a linguística da enunciação. Aqui a linguagem é vista como um sistema não estável, com sujeitos que dialogam entre si e com os conhecimentos. A forma de expressão leva em conta as condições sociais e suas práticas diferem dependendo do grupo social e do momento histórico. Nessa visão, o ensino dá à língua materna a capacidade de refletir e compreender a produção textual e a utilização da língua como um instrumento de interação social.

A apropriação da linguagem oral e escrita contribui para tornar a criança capaz de interagir socialmente enquanto ela domina a função social que a escrita representa para ela e para o grupo.

Referências:

CAGLIARI, Luis Carlos. Alfabetização e linguística. São Paulo: Scipione, 1993.

CAGLIARI, Luis Carlos. Alfabetizando sem o Ba Be Bi Bo Bu. São Paulo: Scipione, 1999.

CAGLIARI, Luis Carlos. Diante das letras: a escrita na alfabetização Gladis Massini Cagliari, Campinas, SP: Mercado das Letras, 1999.

GERALDI, João Wanderley. O texto na sala de aula. São Paulo: Ática, 2006. Cascavel: Assoeste, 1987. p.41-49.

Pedagogia Adventista – Tatui – SP: Casa Publicadora Brasileira, 2004.

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Elen é mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) - Campus Campinas, Brasil. Atualmente é professora do curso de Pedagogia no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) - Campus Hortolândia, Brasil. É colaboradora da Rede Adventista há mais de 30 anos. É autora de dois livros para público infantil publicados pela Casa Publicadora Brasileira ("Coleção Interagir e Crescer" e "Quero Descobrir").

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