Autismo, qual o próximo passo?

Best Practices April 6, 2022

“Lugar de autista é em todo lugar” é o tema da campanha brasileira de 2022 para o Conscientização do Autismo. De fato, encontramos crianças dentro do espectro em todos os lugares como mercados, shoppings, igrejas, clubes de aventureiros e desbravadores, parques e principalmente nas escolas. Com frequência encontro professores que ligaram o sinal de alerta, percebendo traços autísticos em alguns alunos e esperam que o amadurecimento natural faça com que tudo se equilibre sendo este um erro que não podemos cometer.

Afinal, qual o próximo passo? Reconhecer em uma criança as características do espectro é somente uma camada do bolo. Para que haja evolução é necessário fechar o diagnóstico e iniciar a intervenção correta. O ideal é seguir alguns passos rumo ao sucesso no desenvolvimento e são eles:

  1. Apresente para os pais em conversa particular quais têm sido as dificuldades da criança. Neste momento é importante não nomear transtornos ou síndromes, somente apresente os sinais de alerta. O diagnóstico é feito somente pelo médico e podemos causar uma ansiedade desnecessária.
  2. Entregue para a família um documento formal contendo todas as informações necessárias do aluno (comportamento em sala de aula, desenvolvimento cognitivo, interação com os amigos, a linguagem verbal, entre outros), pois será solicitado pelo profissional que for avaliá-lo.
  3. Encaminhe para um profissional investigar. O ideal é que a criança seja avaliada por um neuropediatra ou psiquiatra infantil, do qual solicitará protocolos de avaliação feitos por demais profissionais (psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, entre outros).

Após realizar esses três passos, siga acompanhando todo o processo com a família. A investigação de diagnóstico de transtornos demora algumas semanas, pois os protocolos de avaliação são longos por demandarem tempo e atenção. Caso seja realmente diagnosticado com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), os próximos passos são:

  1. Pedir o laudo médico, contendo o número do CID, as orientações de intervenção (profissionais, tempo semanal com cada área e a necessidade de acompanhante terapêutico escolar, caso necessário) e se há medicação controlada, conhecendo quais são seus efeitos colaterais e como irá proceder.
  2. Conhecer qual é a equipe multidisciplinar da criança e com eles, organiza a melhor estratégia de aprendizado do aluno.

Para obter sucesso no desenvolvimento da criança é importante que a escola, os pais e a equipe multidisciplinar trabalhem juntos, apresentando para o psicólogo responsável pela supervisão todas as dificuldades e ganhos da criança. Marion Welchmann escreveu uma frase que é essencial para a prática escolar atípica: “Se uma criança não pode aprender da maneira que é ensinada, é melhor ensiná-la da maneira que ela pode aprender.”

A inclusão escolar está além de inserir a criança em uma escola convencional. É necessário que a escola se organize e esteja pronta para guiar a criança no melhor caminho. O futuro das crianças está em nossas mãos, estamos preparados para isso?

Este artigo é o segundo de uma série de seis. Leia os demais artigos da série:

1. Autismo, você está pronto para ele?

3. Autismo: medicamentos ou terapias?

4. Autismo e a escola

5. Autismo, evolução dentro de casa

6. Autismo e o papel do professor

Author

Elisa é graduada em Música pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP-EC), Pós Graduada em Musicoterapia pela UniAmérica e Especialista em Autismo pelo Child Behavior Institute (CBI) of Miami, atuando na área desde 2012. Mora atualmente em Gurupi – Tocantins, Brasil. É casada com o pastor Renan Souza e mãe do Hullen e da Rebeca.

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