Autismo e o papel do professor

Best Practices May 4, 2022

Nos últimos anos o Transtorno do Espectro Autista (TEA) tornou-se familiar para a sociedade, seja pela conscientização em escolas, igrejas, hospitais e redes sociais ou por ter algum familiar diagnosticado. Inclusive a Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu em 2007 o mês de abril para a conscientização deste transtorno, trazendo, assim, maior conhecimento para a população devido a necessidade de crianças e adultos sem diagnóstico buscarem auxílio profissional. Mesmo com o aumento da divulgação do autismo, ainda nos deparamos com profissionais que desconhecem esse transtorno do neurodesenvolvimento. É comum encontrarmos famílias que estão desconfortáveis em locais públicos porque seu filho está chorando, talvez com crise ou birra e, automaticamente, julgamos esse comportamento e até mesmo a educação oferecida por aqueles pais. Se assim procedemos em locais públicos, como temos atuado dentro da sala de aula?

Imagine como é para uma família que possui uma criança dentro do espectro e que passa por situações parecidas com essa todos os dias. Crises de choro ou de risos, falas inapropriadas, gestos repetitivos como dançar ou enfiar o dedo no nariz, sensibilidade sonora onde a criança se irrita com o som e tapa os ouvidos em uma conversa, agitação e hiperatividade em igrejas, escolas e até mesmo funerais. Me pergunto: até quando julgaremos essas famílias ao invés de apoiá-las? Sei que é difícil lidar com cada aluno de forma individual, afinal temos dezenas de crianças em uma sala de aula, cada uma com a sua história, vivência, rede de apoio e desenvolvimento específico. Dar uma atenção exclusiva, individual, é uma dificuldade presente. No entanto, o respeito deve permear a vida do profissional. É comum encontramos professores que não entendem o diagnóstico do aluno, não se preocupam em pesquisar sobre, não fazem plano de ensino individual (PEI) e, com isso, a criança fica perdida ou até mesmo invisível dentro de uma sala de aula.

Se colocar no lugar da família é o melhor caminho. Se esse aluno fosse o meu filho, o que eu faria de diferente? Ter essa visão traz para sua atuação mais compaixão e resultados. Além do autismo, além dos sinais, existe uma criança que tem sentimentos, sonhos e dificuldades, como também existe uma família que luta diariamente para apresentar o melhor ao seu filho. Você, professor, é o profissional que a família escolheu para a sua maior preciosidade. Como você tem lidado com essa criança e essa família?

Gostaria de deixar aqui um texto de Ellen White que me faz refletir sobre minha atuação como profissional: “Ensinar quer dizer muito mais do que muitos supõem. Requer grande habilidade o fazer a verdade compreendida. Por isto, todo professor se deve esforçar para possuir crescente conhecimento, mas não o pode obter enquanto se divorcie da Palavra de Deus. Caso ele queira ter suas faculdades e aptidões em diário progresso, precisa estudar; cumpre-lhe comer e digerir a Palavra, e trabalhar à maneira de Cristo.” Conselhos sobre Educação, página 139.

Este artigo é o último de uma série de seis. Leia os demais artigos da série:

  1. Autismo, você está pronto para ele?
  2. Autismo, qual o próximo passo?
  3. Autismo: medicamentos ou terapias?
  4. Autismo e a escola
  5. Autismo, evolução dentro de casa

Author

Elisa é graduada em Música pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP-EC), Pós Graduada em Musicoterapia pela UniAmérica e Especialista em Autismo pelo Child Behavior Institute (CBI) of Miami, atuando na área desde 2012. Mora atualmente em Gurupi – Tocantins, Brasil. É casada com o pastor Renan Souza e mãe do Hullen e da Rebeca.

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