O estudo de línguas e a variação linguística

A Sociolinguística contribuiu de forma muito importante ao reconhecer que a língua não é uniforme, pois há variantes no uso de uma língua.

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Em cada língua podemos observar variações que vão da informalidade à formalidade, falada ou escrita, por diferentes motivos, associados ou não, tais como: nível social e cultural, região em que vivem, etc. De acordo com Bagno (2005) a língua padrão apresentada pela gramática normativa é como o molde de um vestido. O molde não pode ser interpretado como sendo o vestido. Embora contenha peças sobre as quais o vestido será cortado, sequer de tecido o molde é feito.

A Sociolinguística contribuiu de forma muito importante ao reconhecer que a língua não é uniforme, pois há variantes no uso de uma língua. Este fenômeno de variação linguística é muito antigo, porém seu reconhecimento é relativamente recente. Para que ocorra a mudança linguística, é imprescindível a interferência de fatores sociais, evidenciando o prestígio social do variante padrão, as diferenças entre sexo, classes e gerações.

A variação está presente em todas as línguas num dado momento. Por isso, a grandiosa importância de se estudar a variação linguística, procurado uma perspectiva para analisar essa mudança, para assim possa favorecer a ruptura com o preconceito linguístico, que infelizmente é alimentado pelas tão absolutas gramáticas normativas.

De uma forma bastante resumida, Moura (2016, p. 59) esclarece que as variações linguísticas podem ser designadas:

  1. Variação diatópica: diferenças que ocorrem entre falares locais, regionais ou intercontinentais.
  2. Variação diastrática: diferenças percebidas entre as camadas socioculturais (nível culto, nível popular, língua padrão)
  3. Variação diafásica: diferentes tipos de modalidades expressivas dentro de um mesmo estrato social. Dividem em grupos “biológicos” (homens, mulheres, jovens, crianças) e grupos profissionais.

Em um país de tamanho continental como é o Brasil, com apenas uma língua oficial, encontramos inúmeras variações de uso da Língua. Temos uma língua padrão, que está relacionada com as normas da gramática, ou seja, a gramática que representa e impõe as regras e normas para o falar e o escrever corretamente dentro de um padrão estabelecido socialmente. Preti (2003, p.17) afirma que as chamadas variações extralinguísticas seriam de três espécies:

  • Geográficas: envolvem variações regionais
  • Sociológicas: as variações provenientes da idade, sexo, profissão, nível de estudos, classe social, localização, dentro da mesma região, raça, as quais podem determinar traços originais na linguagem individual.
  • Contextuais: tudo aquilo que pode determinar diferenças na linguagem do locutor por influências alheias a ele: o assunto, o tipo de ouvinte, o lugar em que o diálogo ocorre e as relações que unem os interlocutores.

Conclui-se, portanto, que a presença da heterogeneidade da língua, governada por regras variáveis, é o que permite ao sistema linguístico se manter em funcionamento mesmo em períodos de mudanças linguísticas que são constantes. De todo modo, o que mais importa é a constatação de que não temos uma língua uniforme e invariável. E como pudemos observar a chamada variedade padrão, da língua culta, não deve nos levar a ignorar os diversos usos da língua que encontramos no dia a dia.

Referências:

BAGNO, M. Preconceito linguístico: O que é, como se faz. 49 ed. São Paulo: Loyola, 1999.

MOURA, Marilda Franco de. Linguística aplicada ao ensino de Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Seses, 2016.

Author

Daiane é pedagoga e profissional de Letras - Português. Formada em Pedagogia pela Universidade Estadual de São Paulo em 2006, e formada em Letras – Português pela Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro em 2019. Trabalha há 14 anos como professora na Rede Adventista. Atualmente, tem a função de Orientadora Educacional no Colégio Adventista de Niterói, Brasil.

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