É possível superar o luto?

Passamos por diversas adaptações e crises existenciais e financeiras, porém a perda humana é o resultado mais significativo dessa pandemia.

Philosophy & Mission June 16, 2021

Durante a pandemia observamos com pesar o número de mortes crescendo mundialmente a cada dia. A princípio a impressão era de que esses números não passavam de estatísticas divulgadas pelos telejornais. Com o passar do tempo esses números passaram a ganhar nomes, rostos e histórias. O medo ora longínquo se aproximou e tomou forma à medida que começamos a perder amigos, familiares e pessoas próximas.                

Passamos por diversas adaptações e crises existenciais e financeiras, porém a perda humana é o objeto mais significativo do resultado dessa pandemia. Concomitante às perdas, nos deparamos com o luto. Então vem a questão, é possível aliviar a dor do luto?

De acordo com o Compêndio de Psiquiatria do Kaplan – Artmed, Perda, luto e pesar são termos que se aplicam às reações psicológicas daqueles que sobrevivem a uma perda significativa. Luto é o sentimento subjetivo precipitado pela morte de uma pessoa amada.

Fugimos em pensar sobre o luto, pois naturalmente sabemos que passaremos por uma perda significativa em algum momento da nossa existência. No entanto, segundo a psicanalista Fernanda Hamman, falar sobre o luto ajuda a viver as perdas, já que o ser humano é o único ser vivo que sabe que vai morrer. E em meio a pandemia atual são muitos os que estão enlutados e que vivem a dor da perda, da falta e da saudade.

De acordo com a célebre psiquiatra Elizabeth Kübler-Ross o luto possui cinco fases. São elas:

  1. Negação
  2. Raiva
  3. Negociação (Barganha)
  4. Depressão
  5. Aceitação

De acordo com o Compêndio de Psiquiatria do Kaplan – Artmed, as reações à perda incluem estados intensos dos sentimentos, invocam uma variedade de estratégias de enfrentamento e levam a alterações nas relações interpessoais, no funcionamento biopsicossocial, na autoestima e na visão do mundo, podendo durar indefinidamente.”

As fases podem acontecer simultaneamente e é importante lembrar que o luto é individual. Ou seja, cada um reage de uma forma singular, de acordo com sua personalidade, suas experiências de vida, seu significado de perdas, de acordo com a sua subjetividade.

Segundo o Compêndio de Psiquiatria do Kaplan – Artmed, pesquisadores propuseram modelos para o processo de luto, os quais incluem pelo menos três fases ou estados: (1) choque, incredulidade e negação iniciais; (2) um período intermediário de desconforto agudo e afastamento social; e (3) um período culminante de restituição e reorganização.

Com base nesse modelo percebemos que é possível amenizar a dor do luto. Para isso é importante atentar para alguns pontos importantes.

  1. Saber que falar sobre o luto ajuda a viver as perdas. É preciso viver o período do luto para que a ferida da perda não fique aberta. Fugir dele é uma atitude muito perigosa para o psíquico. Para aqueles que infelizmente não puderam ritualizar a despedida – em nossa sociedade cristã temos o rito do sepultamento – essa ferida fica aberta, sangrando, pois o rito da despedida dá a dimensão da morte para quem fica. Pensando nessa cena, lembramos da frase de Khalil Gibran “As grandes dores são mudas”! e mesmo em meio ao silêncio e a poucas pessoas despedindo-se de seus mortos quase que escutamos os gritos da alma de quem perdeu alguém amado.
  2. Despir-se de qualquer culpa que possivelmente venha assolar. Alimente-se de boas memórias e olhe para frente com esperança. Isso nos faz refletir de que temos que demonstrar carinho e afeto enquanto as pessoas estão vivas.
  3. Ter empatia também pela dor do outro. Mostrar-se solidário, sem palavras clichês, ajuda a amenizar a solidão de quem perde alguém que ama. Como diz Mário Sergio Cortella, “com a morte a gente não se conforma, a gente se conforta”.

“Quando a situação for boa, desfrute-a. quando a situação for ruim, transforme-a. quando a situação não puder ser transformada, transforme-se.” (Viktor Frankl)

Para nós educadores que acreditamos na Bíblia e cremos no advento de Jesus temos as nossas dores aliviadas pela esperança da ressurreição e podemos também confortar nossos alunos com a Palavra:

“Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?
Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.” (1 Coríntios 15:51-57
)

Referências:

SADOCK, Benjamin J., SADOCK, Virginia A., RUIZ, Pedro. Compêncio de Psiquiatria: Ciência do comportamento e psiquiatria clínica. 11 ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. p. 1352. 

FRANKL, V. E. Em busca de sentido. Petrópolis, RJ: Vozes, 1985. 

CORTELLA, Mário S. em: http://cbn.globoradio.globo.com%3C%21–/#echo%20var=’DOCUMENT_URI’%20–%3E#ixzz6u8ZnynMS


Author

Atua como professora no Colégio Adventista de Juiz de Fora, Brasil, há 21 anos. Atualmente é professora do 1⁰ ano do Ensino Fundamental. Graduada em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), pós-graduada em História do Brasil, em Gestão Educacional, em Psicopedagogia, em Gestão, Coordenação e Orientação Escolar, em Neuropsicopedagogia onde atende crianças, em consultório e estudante de Psicologia.

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